3 Passos para não errar na compreensão e interpretação de textos

3 Passos para não cometer erros em questões de compreensão e interpretação de textos

Após a leitura de um texto, quando lemos as perguntas propostas, percebemos que as questões de compreensão do texto são diferentes das questões de interpretação. E isso influencia o alcance da análise que devemos fazer do material lido.

Enquanto na compreensão nós focamos o que o texto diz, na interpretação focamos no que o texto nos permite dizer.

Há, porém, 3 passos para não errar na compreensão e interpretação de textos. (Para saber mais sobre a diferença entre compreensão e interpretação de textos, clique aqui).

1º PASSO: Aprenda a reconhecer o erro de Extrapolação nas questões de compreensão e interpretação

Segundo Evanildo Bechara, professor, gramático e filólogo brasileiro, o erro de extrapolação, como o próprio nome indica, acontece quando saímos do contexto, quando acrescentamos ideias que não estão presentes no texto.

Quando extrapolamos, vamos além dos limites do texto, viajamos além de suas margens, fazemos outras associações, evocamos outros elementos, criamos a partir do que foi lido, deflagramos nossa imaginação e nossa memória, abandonando o texto que era o nosso objeto de análise.

A extrapolação nas questões de compreensão de texto

Em questões de compreensão de textos, quando o foco é o que está dito no texto, explícita ou implicitamente, a extrapolação ocorre quando vamos além do que está dito no texto. Qualquer inferência que fizermos para além de suas informações pode nos levar a extrapolar o que se pede.

Por exemplo, se um texto apresenta uma informação apontando que um determinado país ocupa a posição de número 9 entre 10 países estudados em relação a taxas de criminalidade, seria extrapolação dizer que o referido país se encontra em uma situação insustentável em relação à criminalidade, uma vez que o texto não diz nada sobre isso.

A extrapolação nas questões de interpretação de textos

Outras vezes, a extrapolação acontece pela preocupação de se descobrir pressupostos das ideias do texto, pontos de partida bem anteriores ao pensamento expresso, ou, ainda, pela preocupação de se tirar conclusões decorrentes das ideias do texto, mas já pertencentes a outros contextos, a outros campos de discussão.

Nas questões de interpretação de textos, só se pode considerar extrapolação a inferência que não encontra guarita no texto, isto é, a inferência que não se baseia, que não se sustenta nas informações do texto.

Por exemplo, se um texto apresenta uma situação em que um determinado órgão público realizou um concurso e lotou todos os candidatos aprovados de acordo com as disponibilidades das vagas, segundo o que orientava o edital, seria um erro de extrapolação inferir que a lotação ocorreu segundo as escolhas pessoais dos candidatos, pois não há nada no texto que permita essa inferência.

Ainda nas palavras do mestre Bechara,

Reconhecer os momentos de extrapolação – sejam analógicos ou lógicos – significa conquistar maior lucidez, maior capacidade de compreensão objetiva dos textos, do contexto que está em questão.

E finaliza dizendo que

Essa clareza é necessária e é criadora: significa, inclusive, uma liberdade maior de imaginação e de raciocínio, porque os voos para fora dos textos tornam-se conscientes, por opção, serão realizados por um projeto intencional, e não mais por incapacidade de reconhecer os limites de um texto colocado em questão, nem por incapacidade de distinguir as próprias ideias das ideias apresentadas por um texto lido.

2º PASSO: Aprenda a reconhecer o erro de Redução nas questões de compreensão e interpretação

Outro erro clássico em exercícios de compreensão e interpretação de texto é a redução ou particularização indevida, um erro oposto à extrapolação.

Neste caso, ao invés de sairmos do contexto, ao invés de acrescentarmos outros elementos, fazemos o inverso: abordamos apenas uma parte, um detalhe, um aspecto do texto, dissociando-o do contexto, ou tornando-o importante quando ele é secundário.

De acordo com o mestre Bechara,

A redução consiste em privilegiarmos um elemento (ou uma relação) que é verdadeiro, mas não é suficiente diante do conjunto, ou então que se torna falso porque passa ser descontextualizado.

Assim, nós nos prendemos a um aspecto menos relevante do conjunto, perdendo de vista os elementos e as relações principais, ou antes, quebramos este conjunto, fracionando inadvertidamente esse aspecto, isolando-o do contexto.

Bechara ainda argumenta que

Reconhecer os processos de redução representa também um salto de qualidade em nossa capacidade de ler e entender textos, assim como em nossa capacidade de perceber e compreender conjuntos de qualquer tipo, reconhecendo seus elementos e suas relações.

Por exemplo, se um texto declara que há três causas para a ocorrência da fome no mundo, cometeria erro de redução quem dissesse que, no texto ou com base no texto, há apenas uma ou duas causas.

3º PASSO: Aprenda a reconhecer o erro de Contradição nas questões de compreensão e interpretação

O último erro clássico nas questões de compreensão ou interpretação de texto, certamente o mais grave de todos, é o da contradição.

Por algum motivouma leitura desatenta, a não percepção de algumas relações, a incompreensão de um raciocínio, o esquecimento de uma ideia, a perda de uma passagem no desenvolvimento do textochegamos a uma conclusão contrária ao texto.

Como esse erro tende a ser mais facilmente reconhecido – por apresentar ideias opostas às ideias expressas pelos textos – os testes de interpretação muitas vezes são organizados com uma espécie de armadilha: uma alternativa apresenta muitas palavras do texto, apresenta até expressões inteiras do texto, mas com um sentido contrário.

Ainda segundo o mestre Bechara,

Um leitor desatento ou/e ansioso provavelmente escolherá essa alternativa, por ser a mais ‘parecida’ com o texto. Por ser a que apresenta mais literalmente, mas ‘ao pé da letra’, elementos presentes no texto…

Por exemplo, ao declarar que alguém faz das palavras de Pedro, discípulo do Cristo, as suas palavras e nega, nega e nega a participação em um crime, estará cometendo erro de contradição, pois estará esquecendo que, quando Pedro negou três vezes que conhecia Jesus, estava mentindo.

Conclusão

Portanto, caro leitor, fique atento ao que diz, ao que lê e ao que pedem a você em questões de prova. Amplie seu repertório, apreenda novas técnicas de leitura e anotação. Desenvolva, por fim, as suas habilidades de leitor para enfrentar com qualidade as mais variadas situações de provas e vencer cada uma delas.

Um forte abraço!

Professor Adeildo Júnior

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