Como Destravar a Produção da Redação?

COMO DESTRAVAR A PRODUÇÃO DA REDAÇÃO?

“Professor Adeildo, como destravar a produção da redação?” Ouvi (e ainda ouço) de muitos alunos essa pergunta. Nestes mais de 20 anos na estrada da educação, encontrei com alunos que exibiram todo tipo de dificuldade, mas a que mais os incomoda é de longe a dificuldade para produzir uma redação. Então, reuni todas as minhas experiências exitosas que tive com milhares de alunos, ajudando-os a superar esse obstáculo, e agora apresento a todos uma prévia do que vem por aí por meio deste artigo.

Para entender como destravar a produção da redação, tenha foco na origem do problema

A primeira coisa que um aluno deve compreender em relação à produção de redações é que a dificuldade de escrever não tem apenas uma origem, mas é unanimidade entre professores estudiosos do assunto que a falta do hábito da leitura é uma das principais causas desse problema.

Ao lado disso, há também a falta de um contexto de produção que esteja sempre aquecido, isto é, um contexto de produção da redação movimentado, como o ambiente escolar envolvido por atividades de leitura, debates, discussões nobres em busca do saber. Quando professores a alunos – agentes do processo de produção de conhecimento – estão inseridos num ambiente aquecido, a atividade de redação é mais propícia.

Por fim, a ausência de estudos mais bem direcionados de técnicas de redação inibe ainda mais o aluno de realizar as atividades de escrita, pois, quando não há aquele talento quase mágico que alguns têm ao escrever, a técnica ajuda a desenvolver habilidades de produção textual muito importantes.

Portanto, a falta do hábito de leitura, a ausência de um cenário propenso e a inexistência de estudos voltados para o desenvolvimento da técnica de redação ajudam a desencadear essa trava ma produção da redação.

Há outros motivos que inibem um aluno para produzir redação, como a timidez, o medo de errar, por exemplo. Mas, os mais frequentes e impactantes são os três anteriormente apresentados.

Para entender como destravar a produção da redação, realize leituras inteligentemente conduzidas

Segundo Eva Maria Lakatos,  em sua obra Fundamentos da Metodologia Científica (Atlas, 2010), uma leitura deve ser proveitosa e trazer resultados satisfatórios para o leitor. Não estou falando aqui de qualquer leitura, mas de uma leitura inteligentemente conduzida. “Mas o que é uma leitura inteligentemente conduzida, mestre?” Uma leitura pode ser realizada com diferentes objetivos.

Para que uma leitura assim ocorra, alguns aspectos são fundamentais: ter atenção, estabelecer com clareza uma intenção, sempre promover uma reflexão, procurar estar envolvido por um espírito crítico, sempre promover uma análise e desenvolver uma síntese a parir do material lido. Vamos entender isso passo a passo. Ouça o meu podcast O Ato de Ler, no meu canal no Spotify, observe como eu acrescento mais informações sobre essa condução.

Atenção e Intenção

A atenção consiste na aplicação cuidadosa e profunda da mente em um determinado objeto, a fim de buscar o entendimento, a assimilação e a apreensão de informações relacionadas a esse objeto. Por outro lado, a intenção é o que define os objetivos da leitura. Representa interesse ou propósito de conseguir algum tipo de aproveitamento intelectual por meio da leitura.

Reflexão e Espírito Crítico

Uma leitura deve levar o leitor a promover uma consideração e uma ponderação sobre o que lê. Assim, observar todos os ângulos, tentando descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações é essencial. Dessa forma, a assimilação das ideias do autor é favorecida, bem como o esclarecimento e aperfeiçoamento delas, e isso ajuda a aprofundar a base de conhecimentos do leitor.

Nesse contexto, o espírito crítico é uma das principais características que devem ser cultivadas por quem quer entender como destravar a produção da redação. É o espírito crítico que move o leitor a avaliar o que lê. Isso implica julgamento, comparação, provação ou não, aceitação ou refutação das diferentes colocações e pontos de vista. Segundo Lakatos, na mesma obra, ler com espírito crítico significa fazê-lo com reflexão, não admitindo ideias sem analisar ou ponderar, proposições sem discutir, nem raciocínio sem examinar.

Análise e Síntese

É necessário aprender a dividir para conquistar, já dizia o mestre da estratégia Alexandre, o Grande. E é exatamente isso que o leitor deve aprender a fazer. Ao ler o texto, ele deve dividir o tema abordado em partes, reconhecer ou determinar as relações existentes entre elas, a fim de compreender toda a sua organização.

Por fim, o leitor deve ser capaz de sintetizar o pensamento. E isso exige dele a habilidade de reproduzir as partes decompostas pela análise, procedendo ao resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado tudo o que for secundário e acessório, sem perder a sequência lógica do pensamento originar. Essa capacidade de dizer de forma resumida o material lido é, sem dúvidas uma das formas para aprender como destravar a produção da redação, pois é uma das técnicas de reescritura.

Sendo assim, resolvidas as questões relativas à leitura, à formação do leitor, eu acredito que o produtor da redação deve agora colocar foco no contexto de produção.

Para entender como destravar a produção da redação, entenda o Contexto de Produção

Para o Professor Dr. Sérsi Badari, quando produzimos um texto oral ou escrito, sobretudo em situações mais institucionalizadas, não agimos apenas como indivíduos isolados, sem nenhuma restrição social, mas assumindo determinado papel social, buscando construir determinada imagem para o outro, com um determinado objetivo, para um destinatário que também desempenha um determinado papel social, e dentro de uma atividade social para a qual normalmente existem gêneros apropriados, com características próprias.

Dessa forma, o contexto de produção de quem se prepara para um concurso público, um vestibular, uma entrevista de emprego, ou para o Enem, envolve uma série de agentes essenciais ao desenvolvimento do ato comunicativo. Assim, a escola, o cursinho, o preparatório para concursos, a universidade, enfim, o ambiente escolar e seus agentes, professores, alunos, colegas etc. desempenham um potencial papel motivador para a produção textual.

É necessário, pois, que esse ambiente escolar esteja repleto de atividades de leitura, de pesquisar, de debates e de oportunidades de produção da comunicação escrita, sobretudo. Isso cria uma “atmosfera” adequada ao aluno que deseja ativar os mecanismos para entender como destravar a produção da redação.

Para entender como destravar a produção da redação, aprenda boas técnicas de redação

Para começarmos a tratar desse ponto, vamos assistir a uma aula minha primeiro.

Veja só… é puro mito julgar que escrever uma bora redação é para quem tem aquele talento nato! Há pessoas que parecem ter uma capacidade sobre-humana de escrever bem e com facilidade. O que muita gente não sabe é que essa facilidade não vem de graça! Ela resulta de um conjunto de ações executadas a médio e longo prazos. Também é fato que existem aquelas que, desde que pegaram numa caneta e num papel, começaram a escrever com inexplicável facilidade. Mas, a maioria das pessoas não é assim.

Nessa aula eu apresento uma das técnicas mais eficazes para ajudar um aluno a entender como destravar a produção da redação. Ao entender que estamos muito acostumados a responder perguntas iniciadas por “Porquê…”, usamos isso a nosso favor. Assim em vez de pensar em argumentos, pensamos em respostas.

Existem muitas técnicas de redação. Algumas concentram-se na elaboração de parágrafos, outras em estratégias argumentativas, outras ainda em formas de organização das ideias. O importante, porém, é compreender que você deve se apropriar das técnicas com que você mais se sentir à vontade, entende? Não saia por aí tentando se apoderar do máximo de técnicas, pois você corre o risco de não dominar bem nenhuma.

Por fim, para compreender como destravar a redação, entenda que escrever uma boa redação não é produzir uma obra-prima, nem mesmo escrever um texto extraordinário, cheio de “nuances” literárias e construções gramaticais eruditas. Para escrever bem, escreva simples. Seja direto, diga o que tem que ser dito com clareza. Quanto mais didática for a sua abordagem, tanto melhor será a sua redação.

Um forte abraço!

Professor Adeildo Júnior

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *