3 Passos para Ler, Compreender e Interpretar Textos

3 PASSOS PARA LER, COMPREENDER E INTERPRETAR TEXTOS

Para tirar o máximo proveito da leitura de um texto, o leitor deve ter consigo certas competências. Essas competências deverão ser capazes de lhe permitir decompor o texto em suas partes por meio de um conjunto de habilidades. Para isso, vou apresentar a você 3 passos pata ler, compreender e interpretar textos muito melhor. 

1º PASSO: você deve entender que o texto é um todo significativo

Inicialmente, há duas maneiras de definir um objeto: a primeira é enumerando as suas características e a segunda é apresentando suas funções. Observemos:

Partes de Um texto
Partes de um texto (SILVA JÚNIOR, 2020)

palavra é a matéria-prima com que se constrói o texto. É ela o ponto de partida para tudo. Mas, engana-se quem pensa que, por ser a menor unidade de sentido, não possua complexidade em sua utilização e análise. A palavra é um signo linguístico e como tal possui uma dupla característica:

a) em primeiro lugar, ela é dotada de uma forma gráfica (representada pelas letras) e sonora (representada pelos fonemas);

b) em segundo lugar, ela é dotada de um conteúdo, isto é, carrega consigo uma ideia à qual é associada de acordo com as convenções sociais e épocas. A palavra ainda pode ser explorada pelas suas características morfológicas, pelas suas funções sintáticas e pela sua semântica. 

Juntando palavras organizadamente, teremos um enunciado maior em seu alcance semântico-estrutural: a frase nominal, se construída sem verbos; verbal se os tiver em sua estrutura. A frase verbal é também chamada de oração. E nesta, há relações entre os termos que as compõem. As relações podem ser de subordinação ou de coordenação.

A frase representa o contexto em que a palavra é empregada. Trata-se de uma estrutura mais densa, mais complexa, de significação mais expressiva. Entretanto, vale lembrar que uma palavra pode assumir a condição de frase desde que esteja contextualizada e transmitindo uma mensagem de sentido completo. 

Juntando orações organizadamente, teremos uma estrutura maior: o período composto. Nesta estrutura, também de amplo alcance semântico e de estrutura mais complexa, além das relações entre termos, há relações de sentido e de sintaxe construídas entre as próprias orações. Assim, podemos encontrar os períodos compostos por coordenação, por subordinação e os de estrutura mista. 

Juntando períodos organizadamente, teremos, então, a maior unidade significativa do texto: o parágrafo. Neste, as ideias alcançam outro plano de análise e de construção. Entendemos que todo parágrafo possui uma palavra que o norteie a qual recebe o nome de palavra-chave; há nele também apenas uma ideia central — a que apresenta o assunto de que o parágrafo trata —, que é ampliada e/ou justificada por ideias secundárias. 

(…) o texto é, por conseguinte, um todo significativo

Diante dessa análise estrutural, podemos enumerar as partes que compõem o texto, da menor unidade de sentido para a maior unidade. Assim, teremos: as palavras, as frases ou orações, os períodos compostos e os parágrafos. Entendendo, ainda, eu cada unidade é dotada de significados, verificamos que o texto é, por conseguinte, um todo significativo. 

A definição

Deste modo, definimos o texto como o conjunto de ideias resultante da junção organizada de partes menores (palavras, frases, orações, etc.), capaz de transmitir uma mensagem contextualizada e inteligível. 

Na construção dessa definição duas palavras destacam-se, levando-nos a outros conceitos importantes: “junção” e “organizada”. Quando eu falo em “junção”, associo o pensamento imediatamente à ideia de ligação, de estruturação, de forma. É exatamente por meio de uma junção de partes que o todo se constitui.

Logo, compreendemos esta ação como um elemento textual de grande importância para a formação daquilo a que chamamos de texto: a coesão textual (o fenômeno gramático-linguístico responsável pela concatenação das partes que formam o texto, dando-lhe uma unidade). Já, ao falar em “organizada”, penso em lógica, em sentido, em conteúdo.

Assim, é por meio desta organização que o texto assume uma significação, interna e externa. O elemento responsável por esta significação é a coerência textual (o conjunto de raciocínios lógicos responsáveis pelo sentido que o texto possui). 

2º PASSO: você deve entender que um texto não nasce do nada 

Um axioma  diz que “não há efeito sem causa”. Se entendermos o texto como sendo o resultado de um processo, compreenderemos que ele é efeito de uma causa. Por isso, saber o que ele é ajuda na composição das habilidades necessárias para interpretá-lo.

No entanto, entender o mecanismo de sua elaboração, fundamentará ainda mais a ação interpretativa. 

Observemos o raciocínio a seguir:

Como Nasce um Texto
Como Nasce um Texto (SILVA JÚNIOR, 2020)

Vejamos, eu compreendo que o homem está inserido numa realidade. Entendo que ele tanto influencia os rumos dessa realidade como, por muitas vezes, é influenciado por ela. Desse modo, podemos afirmar que ele é influenciado pela religião de seu tempo, pela política de seu tempo, pela cultura de seu tempo etc.

Agora, vamos colocar esse homem na condição de escritor. Qual a primeira coisa a fazer quando se deseja escrever sobre algo? Observar. Observar-se. É a partir da observação do tema/assunto que ele escolhe que o processo se desencadeia. Escolhido o elemento central de sua observação, ele (o escritor) inaugura um processo de reflexões a que chamamos de análise. Nem sempre quem observa analisa o que observou, mas quem analisa algo só o faz por ter observado antes. Compreendeu o raciocínio?!

É na análise que o escritos faz uso intenso de seu repertório — o conjunto de todas as informações que ele adquiriu ao longo de sua vida seja pelas leitura, experiências, seja pelas vivências que teve. Esses conhecimentos podem ser agrupados em dois grandes conjuntos:

a) os conhecimentos linguísticos, revelados pelo seu vocabulário e pelo domínio de uma gramaticalidade de seu idioma que lhe permite a comunicação; e

b) os conhecimentos de mundo, cuja aquisição pode se dar formal ou informalmente, científico ou empiricamente.

Portanto, é com base nesse repertório que ele compara, questiona, pondera, avalia, enumera, justifica, descreve, relata, discorre, opina, argumenta, enfim, que ele realiza sua complexa atividade cognitiva. A partir daí, ele pode sintetizar o pensamento através da produção elaborada de uma síntese dessas ideias: a produção de um texto.

Sendo assim, da escolha do assunto à produção textual escrita, há um processo que refuta a ideia de que um texto nasça do nata.

3º PASSO: você deve entender que, para todo texto, há um contexto 

Contexto é uma unidade linguística do âmbito maior, na qual se insere outra unidade de âmbito menor. E, como já sabemos, o texto constitui uma espécie de “leitura do mundo”, particularizada pela visão individual que o seu autor tem da realidade que o cerca, pela época em que vive e pelas tendências político-sócio-filosófico-econômicas correspondentes. Suas linhas e entrelinhas carregam informações que traduzem uma localização no tempo/espaço, uma ideia de homem, de sociedade de valores e contravalores. 

Assim, entende-se que ele, o texto, está localizado em uma — ou mais — área do conhecimento, pois, além das informações explícitas que traz, está repleto de informações implícitas as quais dimensionam o alcance informativo que o próprio texto possui. São informações das mais variadas em que um texto toca. Estas informações vão além das fronteiras do texto e não lhe são exclusivas. Localizam-se no CONTEXTO.

Para todo texto há um contexto
Texto e Contexto (SILVA JÚNIOR, 2020)

Entretanto, a percepção das informações (implícitas ou até explícitas) de um texto não depende apenas da forma como o autor as distribui no texto. Décio Vieira Salomon, em sua obra de referência “Como Fazer Uma Monografia”, Editora Interlivros, 1978, afirma que  a busca da compreensão de um texto deve levar em consideração a qualidade do leitor.

São os problemas que o leitor tem que lhe impedem a percepção, a compreensão e, consequentemente, a interpretação de um texto. 

Mas, a má compreensão de um texto pode ter suas causas detectadas. O professor em sala de aula pode ajudar um aluno com problemas no entendimento do material lido fornecendo-lhe subsídios ou o próprio leitor, autodidata, pode superar as dificuldades se fizer consultas, recorrer a outras fontes e apresentando ao aluno os 3 passos para ler, compreender e interpretar textos com mais precisão.

Causas da má compreensão de textos

Dessa maneira, o aluno pode enfrentar os problemas que surgem durante o processo aprendizagem. Eis as principais causas desses problemas:

  • O leitor não conhece os recursos linguísticos utilizados, uma regência verbal. Exemplo: “O discurso do governador foi de encontro às reivindicações dos grevistas”. O leitor precisa saber que “ir ao encontro de” quer dizer concordar; “ir de encontro a” tem o sentido de discordar, confrontar. Então, o governador frustrou os grevistas; 
  • O leitor não compartilha com o produtor do texto o conhecimento de mundo, por isso se faz necessário esclarecer todas as referências históricas, geográficas, mitológicas, literárias, como as palavras desconhecidas. Exemplo: “… assim como Zeus humano, o cronista também arranca das entranhas de Cronos os filhos que ele quer devorar, na medida em que não deixa perecer no tempo a matéria fugaz da vida, registrando-a e salvando-a do esquecimento”. Para entender tal explicação precisa se reportar à mitologia clássica; 
  • O leitor deve conhecer as circunstâncias históricas em que o texto foi produzido, quais foram as reações que ele produziu quando foi publicado pela primeira vez. Exemplo: para entender bem o poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, o leitor necessita conhecer a briga dos poetas modernistas com os parnasianos;
  • Se o texto lido exige conhecimento prévio de outro texto porque há uma relação de intertextualidade, o leitor precisa buscá-lo. Isso acontece na paródia, na citação ou na paráfrase. Exemplo: “Ai que saudades que eu tenho/ Da aurora de minha vida/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais…/ Me sentia rejeitada,/ Tão feia, desajeitada,/ Tão frágil, tola, impotente,/ Apesar dos laranjais.” (Primeira estrofe do poema “Ai que saudades…”, de Ruth Rocha). Para entender melhor esses versos, faz-se necessário saber que Casimiro de Abreu escreveu “Meus oito anos”.  

Conclusões mais do que importantes

Compreender bem um texto não basta soletrar letras, ler palavras ou frases que o compõem. É indispensável a inserção cultural do leitor. Por isso alfabetizar é um ato bem maior, não pode depender apenas da pequenez de uma cartilha. Os 3 passos para ler, compreender, interpretar textos são ações que exigem do leitor uma capacidade de enxergar não somente o texto, como também o seu contexto.

Então, podemos afirmar enfaticamente que para todo texto há um contexto e que quanto mais implícitos e pressupostos o leitor for capaz de reconhecer tanto maior será o contexto que será compreendido.

Um forte abraço a todos!

Professor Adeildo Jr

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *